Debate 1, Primeiro Round: Peter Hurford

Postando aqui a primeira fala de Peter Hurford, no debate sobre sofrimento desnecessário. Até amanhã no máximo, a resposta de Cl.

__________________________________________________________________________

Debate 1, Round 1: Peter Hurford

Olá. Sou Peter Hurford, autor do greatplay.net e ateu. Estou aqui porque me envolvi em um debate com cl, autor do The Warfare is Mental, e uma espécie de teísta cristão. Enquanto eu penso que existem muitas razões para não crer em várias divindades e muitas razões adicionais para não crer especificamente em divindades benevolentes, estamos aqui para discutir apenas uma parte desta questão: a existência de sofrimento desnecessário.

O QUE É SOFRIMENTO DESNECESSÁRIO?

O que é o sofrimento desnecessário que eu argumento que existe? Sofrimento desnecessário é chamado também de sofrimento desnecessário, sofrimento gratuito ou simplesmente mal. Pondo simplesmente, sofrimento desnecessário é qualquer coisa que cause dor a uma entidade capaz de senti-lo e não é logicamente requerido em ordem de realizar um benefício maior para esta ou outras entidades. Existindo este sofrimento desnecessário, nós como sociedade coletiva estamos piores, e poderíamos ser melhores eliminando-o.

Ademais, não existindo sofrimento desnecessário, estamos no melhor mundo possível e qualquer tentativa de remover o sofrimento nos faria piores porque perderíamos o benefício associado que o supera, decrescendo o benefício geral de todas as pessoas.

O que seria um exemplo de sofrimento desnecessário? Considere a dor de um cirurgia e a recuperação; isto envolve muito sofrimento, mas ainda está em nosso melhor interesse tomar este sofrimento porque ele nos permitiria evitar a dor que uma doença debilitante pode nos trazer depois.

Esta é a lógica do sofrimento necessário; porém, vou argumentar que este sofrimento não é realmente necessário porque podemos alcançar este bem maior, ou pela remoção da dor por um Deus onipotente ou por Deus evitando-nos de ter tal doença em primeiro lugar. É por isto que a parte logicamente requerida é tão importante, pois Deus Deus poderia alcançar este benefício maior justamente desejando-o.

POR QUE SOFRIMENTO DESNECESSÁRIO IMPORTA?

Por que este assunto importa? Se fizermos duas premissas relativamente não-controversas: 1 – teísmo afirma a existência de uma divindade benevolente e onipotente, e 2 – uma divindade benevolente não teria razão de permitir sofrimento desnecessário; a existência de sofrimento desnecessário é um indicativo forte de que o teísmo é falso. Este é o chamado Problema do Mal, mesmo que o debate não seja sobre ações más per se, mas de fato sobre sofrimento desnecessário como um todo.

Porém, CL e eu concordamos que iremos debater apenas a existência de sofrimento desnecessário, e não debater qualquer dessas pressuposições. Se você quiser uma defesa completa desses dois pressupostos, bem como justificativas adicionais para o ateísmo, veja meu website. Por ora, continuo com o intento de simplesmente defender a proposição de que sofrimento desnecessário existe como eu tenho definido.

POR QUE PENSAR QUE SOFRIMENTO DESNECESSÁRIO EXISTE?

Enquanto as dores da cirurgia que eu mencionei anteriormente são um exemplo de sofrimento desnecessário, especialmente no terceiro mundo elas são feitas rotineiramente sem anestesia, focarei em três horrores que considero claros e convincentes: (A) bebês que sofrem intensamente e morrem de defeitos de nascimento; (B) animais não-humanos que sofrem intensamente na selva e em nossas fábricas/fazendas; e (C) a Peste Bubônica que matou mais de 25 milhões no século XIV.

O que torna tais casos, exemplos de sofrimento desnecessário?  A saber, não há benefício superior algum que possa ser identificado que logicamente requeira quaisquer destes exemplos. Me deixe brevemente considerar alguns benefícios potenciais (as chamadas teodiceias) que Cl ou outros podem argumentar, e explicar porque elas são inadequadas:

Teodiceia 1 : Livre Arbítrio

A ideia de que o sofrimento é necessário para o livre arbítrio é uma das mais famosas defesas contra o Problema do Mal. Porém, a Defesa do Livre Arbítrio falha porque apenas uma visão compatibilista do livre arbítrio faz sentido. Deus poderia ter criado facilmente pessoas que tenham livre arbítrio genuíno e mesmo assim não escolham ações reprováveis, bem como se afirma o tipo de livre arbítrio que Deus parece ter em si mesmo, ou o tipo de livre arbítrio daqueles que residem no Céu.

Mas não preciso envolver Cl num longo debate sobre a natureza do livre arbítrio, desde que é bem claro que não há livre arbítrio envolvido em qualquer dos exemplos que eu mencionei.

Teodiceia 2: Punição pelo Pecado

Segundo, outra razão muito comum dada para o sofrimento ser necessário é porque Deus precisa dele para punir o pecado, e o pecado deve ser punido em ordem de haver menos dele, e menos pecado é um benefício maior.
Animais não-humanos não tem pecado original, muito menos podem tomar decisões capazes de serem sensatamente punidas.

Bebês com pecado original não precisam ser punidos pelo pecado original pois não fizeram  nenhuma escolha consciente para rejeitar Deus ou agir malevolamente.

Dado o quão não correlatos são comportamento pecaminoso e o sofrimento, tal teodiceia é altamente improvável. Aqueles que sofreram na Peste Bubônica não eram especialmente mais pecadores que aqueles de hoje que têm as vantagens da medicina moderna.

Teodiceia 3: Necessidade da Lei Natural

Terceiro e ainda mais geralmente, mais uma teodiceia diz que defeitos de nascimento e sofrimento de animais não-humanos nas mãos de desastres naturais é necessária para se ter o tipo de leis físicas consistentes para o nosso mundo.

Não há razão pela qual um Deus onipotente não poderia ter feito um mundo com leis físicas consistentes e ainda assim sem nenhum destes exemplos, ou pela qual ele não poderia simplesmente manter o mundo dessa maneira com a vontade divina.

Nenhum dos exemplos por mim mencionados é remotamente fundamental para a física – o mundo poderia simplesmente operar bem sem a Peste Bubônica, defeitos de nascença, e/ou sofrimento de animais não-humanos.

Teodiceia 4: Aproximar-se de Deus / Aprendizado / Construção da Virtude

Quarto, uma teodiceia comum é referida como a construção da alma, a qual tem tipicamente sido três coisas diferentes – Deus usa o sofrimento para trazer as pessoas mais perto de si, usando o sofrimento como lições de aprendizado, ou usando este sofrimento para construir o caráter da pessoa.

Todas estas três defesas aparentemente distintas podem ser anuladas da mesma maneira – Deus poderia ter instilado qualquer dessas lições, o amor por Deus, ou o caráter no nascimento.

Dado que Deus conhece todas as lições, tem infinito amor por si mesmo, e é perfeito em virtude, e mesmo assim jamais sofreu, não há razão para pensar que sofrimento é logicamente necessário para quaisquer dessas três coisas.

Nenhum dos elementos da construção da alma é relevante para animais não-humanos ou aos que morrem muito jonevs, desde que eles são incapazes de quaisquer dessas coisas.

Teodiceia 5: A Necessidade de Genuína Realização Humana

Quinto, argumenta-se que o sofrimento é necessário para dar aos humanos coisas para fazer que causem um impacto significativo, e nada é mais significativo que aliviar o sofrimento dos outros.

Esta resposta é falha pois Deus podia ter feito algo significativo em vez disto sem envolver sofrimento – dado que nosso propósito e direção para um significado é alegadamente vinda de Deus em primeiro lugar.

Todos os exemplos que eu mencionei são tão estruturais e complicados que a humanidade não tem esperança de resolvê-los em milhares de anos – remover o sofrimento de animais não-humanos e remover defeitos de nascimento iria requerer um insondável esforço de re-engenharia biológica.

Geralmente não temos nem mesmo a mais leve possibilidade de aperfeiçoar o sofrimento, mesmo se o assunto é complicado. No século 14, humanos tentaram impedir o avanço da peste – não apenas eles não tinham recursos médicos nem planos de contenção, eles não tinham uma teoria bacteriana de doenças de modo geral.

Exceto que o Céu não seja desejável, ainda deve haver realização humana genuína nele, apesar de não existir sofrimento desnecessário.

Teodiceia 6: Os Benefícios do Céu

Sexto e finalmente, é sugerido que todo este sofrimento é inconsequente porque todos serão corrigidos no Céu.

Isto é controverso, porém, porque teologicamente é indecidido se bebês que morrem no nascimento ou animais não-humanos vão realmente para o Paraíso.

O Paraíso não faz o sofrimento não ser mais desnecessário mesmo com o Céu em compensação, porque o Paraíso ainda poderia ser dado sem sofrimento. É equivalente a socar a cara de alguém e então lhe dar $1.000

Agora, certamente eu não abordei nenhum benefício potencial que possa ser argumentado para o sofrimento em geral, ou para tais instâncias particulares. Porém, se Cl ou alguém mais tem um benefício maior diferente que possa logicamente requerer estes exemplos, eu estaria feliz em considerá-lo na minha tréplica.

UM ARGUMENTO DE IGNORÂNCIA?

Agora que todas as teodiceias foram dispensadas, gostaria de tornar para uma espécie diferente de resposta – aquela que nós não precisamos de nenhuma teodiceia específica porque Deus simplesmente pode ter um propósito desconhecido para permitir o sofrimento. Cl me acusa de raciocínio injusto de “eu não vejo um benefício maior neste sofrimento” para “não existe benefício maior neste sofrimento”, o que é um argumento de ignorância.

Como sabemos que renas não voam? Certamente, nós temos investigado renas e não encontramos nada de asas biológicas, lâminas de helicóptero, ou jetpacks {mochilas-jato} – mas talvez eles desafiem a gravidade por algum meio não-descoberto. Certamente, jamais observamos uma rena voadora e observamos milhões de renas que não voam em toda a sua vida, mas isto pode simplesmente significar que as renas estão “se segurando” na nossa presença. Seria este um argumento de ignorância? Estaríamos sendo raciocinando injustamente de “Não vejo razões para que uma rena seja incapaz de voar” para “Renas não podem voar”?

Nenhuma afirmativa como renas serem incapazes de voar, é absoluta mas sim provisional, baseada na análise de toneladas de evidências. Claro que existe a remota possibilidade de estarmos errados, mas isto nção nos impede de afirmar o conhecimento de que renas são incapazes de voar baseados numa inferência evidencial.

Podemos aceitar provisionalmente a existência de sofrimento desnecessário, baseado que não há razão real para um propósito desconhecido. É por isso que o Problema do Mal que eu argumento aqui é evidencial e não lógico. Enquanto eu aceito o ônus da prova de demonstrar a existência de sofrimento desnecessário, é irracional demandar que eu dê uma prova no sentido matemático – em vez disto, uma prova além da dúvida razoável é prova suficiente.

Segundo, como podemos realmente saber que estupro e assassinato são maus? Certamente poderia haver algum benefício maior que o estupro e o assassinato trazem à nossa sociedade e nós poderíamos realmente fazer o mundo pior inibindo o estupro e o assassinato. Se nós tivéssemos que nos preocupar sobre estas excessivamente raras chances de que o sofrimento que observamos é de fato necessário para um benefício maior, não haveria nenhuma maneira pela qual raciocinaríamos moralmente que devemos na realidade impedir estupros e assassinatos.

É defesa especial sugerir que devemos questionar apenas algumas instâncias de sofrimento (como os meus exemplos) e não questionar outras instâncias (como estupro e assassinato).

DESAFIO DE CONCLUSÃO

Por estas razões, concluo que sofrimento desnecessário existe, e eu desafio Cl a providenciar benefícios maiores que logicamente requeiram os três exemplos que eu dei em (A) bebês que sofrem intensamente e morrem de defeitos de nascimento, (B) animais não humanos que sofrem intensamente na selva e dentro das nossas fazendas e fábricas, e (C) a Peste Bubônica que matou mais de 25 milhões no século 14.

Segundo, se estes três exemplos não são desnecessários, eu não sei o que é. Portanto eu gostaria de desafiar Cl a explicar como o sofrimento deveria ser para se considerá-lo necessário por Cl. Estou honrado em participar deste debate e eu aguardo a refutação de Cl.
_________________________________________________________________________________

Primeiro, com 1909 palavras usadas na abertura, eu reservo as 91 restantes para serem usadas em argumentos futuros, de acordo com as regras correntes do debate. Segundo, gostaria de liberar todos os direitos de cópia do conteúdo deste ensaio, completo e sem direitos reservados, a Cl. Terceiro, gostaria de agradecer a Garren, TaiChi, e Joseph por me ajudarem a pensar durante meu argumento, eliminando as minhas próprias falácias, e elaborando meus argumentos para estarem bem mais convincentes. Finalmente, gostaria de agradecer a Daniel, Andrés, Matt e Adamoriens por concordarem em julgarem este debate.

Anúncios

2 Comments

Add yours →

  1. Definitivamente, não sei 🙂 Este é o nickname do dono do site/blog The Warfare is Mental. Ele não deixa seu próprio nome à mostra – ou pelo menos eu nunca vi.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: