Debate 1, Round 1: CL

A jato, a resposta de CL. Não vou negar que a reviravolta foi interessante e até mesmo impressionante, e é fato geral que isto deixou os juízes deveras confusos. Por quê? Leia e descubra!

Debate 1, Round 1: CL

Concluí que existe sofrimento desnecessário. Em minha visão, pecado causa  morte, sofrimento e o dito “mal natural”. De acordo com Gênesis, Deus fez o mundo bom e os humanos tinham a vida eterna. O pecado acarretou uma queda do maior bem possível. Isto não era necessário, Deus não desejou isto. O sofrimento que o pecado produziu não pode possivelmente ser logicamente requerido para um bem maior ser obtido porque o maior bem possível já fora obtido. Críticas de que Deus “poderia ter feito um mundo sem sofrimento” estão nulificadas.

Ainda que sofrimento seja desnecessário, eliminar o sofrimento não elimina bem maior nenhum. Sofrimento não é necessário para produzir bens. Obviamente, Jesus não cria que removendo o sofrimento se eliminariam bens maiores, senão nenhuma doença seria curada, nem comandos de cura seriam emitidos. De fato, nós seríamos comandados a ignorar o sofrimento.

Isto pode complicar o julgamento {do júri}, mas é aonde a lógica leva. Irei refutar tantos argumentos de Peter quanto eu puder, e veremos onde o segundo round nos leva.

INERENTEMENTE FALACIOSOS

Recentemente eu disse que a maioria dos argumentos do mal se reduzem a incredulidade[1]. Mantenho minhas palavras. A incapacidade de Peter em conceber um bem maior ou necessidade lógica não justificam nem mesmo a provisional pressuposição de que ela não exista, e postular de outra forma é argumentar pela incredulidade[2]. Semelhantemente, minha incapacidade de identificar um bem maior ou requisito lógico não justifica sequer a provisional pressuposição de que nenhum exista, e pstular de outra forma é argumentar pela ignorância.[3]  Coisas que parecem intuitivamente verdadeiras podem ser falsas (p.ex. geocentrismo), e coisas que parecem intuitivamente falsas podem ser verdadeiras (p.ex. mecânica quântica). Peter precisa mais que intuição para montar um argumento do mal com sucesso.

DESCUIDO DESONESTO OU TEATRALISMO?

Peter oferece analogias que levantam suspeitas a qualquer pessoa racional. Alegar que uma rena pode voar devemos injustificadamente atribuir uma propriedade (voar) a um membro de uma classe (mamífero ruminante). Isto é injustificado porque nenhum outro membro tem esta propriedade (nenhum mamífero ruminante voa). Porém, afirmar que os exemplos de sofrimento de Peter podem ser logicamente requeridos para obter bens maiores, precisamos apenas assumir que um membro de uma classe compartilha as mesmas propriedades que os outros membros (Peter concorda que muitos membros da classe “sofrimento” são logicamente requeridos para obter bens maiores).

Acerca da Teodiceia 6, afirmar que recompensar o sofrimento temporal com a satisfação eterna é “equivalente a dar um soco na cara e então lhe dar $1.000” é erroneamente igualar uma recompensa finita e barata ($1.000) com uma infinitamente valiosa (eterna satisfação).

Estes são exemplos comuns de falácia da falsa analogia[4]. Não obstante a mágica, não há a remota possibilidade de renas voarem. Porém, dado que muitos membros da classe “sofrimento” são logicamente requeridos para obter bens maiores, a possibilidade dos exemplos de Peter seguindo um padrão parecem significativos. Então, porque ele implicaria apenas numa “remota possibilidade” de que seus exemplos devam ser logicamente requeridos para obter bens maiores? Por que ele implica que a merreca de $1.000 é comparável à satisfação eterna?

TOMANDO A OFENSIVA

Peter afirma que seus exemplos são “provas acima de qualquer dúvida razoável” que existe sofrimento desnecessário. Citando o geneticista Stephen O’Brien, PBS escreve:

As áreas mais atingidas pela Peste Negra coincidem com aquelas em que o gene da resistência ao HIV é mais comum atualmente. [5]

Ciência moderna – o oráculo dos ateus – sugere que a praga pode ter facilitado a resistência ao HIV. Que a mutação pertinente poderia não ser obtida dado um algoritmo genético distinto parece um motivo justo para pelo menos a pressuposição provisional de requerimento lógico. Agora, Peter pode dizer “mas Deus poderia ter simplesmente arrancado fora” ou alguma variante de “Por que Deus não fez do jeito que eu quero”, mas isto é puramente ad hoc sem mencionar que ignora o fato de Deus já nos ter dado um mundo sem doenças e nós o arruinamos.

Alternativamente, historiadores como Bowski (1971) e Bridbury (1983) sugerem que a praga pode ter sido um ponto de retomada no desenvolvimento econômico europeu: os salários não teriam aumentado se não tivesse um aumento tão drástico na demanda por mão-de-obra. Não seria um deficit de mão-de-ora logicamente requerido para estimular a demanda? Porque Peter age perplexo? Não seriam essas razões para duvidar da assertiva de Peter que estes exemplos são “provas além da dúvida razoável” de sofrimento desnecessário?

TEODICEIAS

Vamos ver a Teodiceia 4. Dizer “Deus poderia ter instilado qualquer dessas lições, amor por Deus, ou caráter desde o nascimento” é somente uma asserção que não explica por que Deus deveria fazer isto em vez de alguma outra rota. Peter continua,

Dado que Deus conhece todas as lições, tem infinito amor por si mesmo, e é perfeito em virtude, e mesmo assim jamais sofreu, não há razão para pensar que sofrimento é logicamente necessário para quaisquer dessas três coisas.

De acordo com a Bíblia, Deus sofreu terrivelmente. Pela mesma lógica assegurando a sua conclusão anterior, não deveria Peter conceder que, desde que Deus sofreu, temos razão de crer que o sofrimento pode ser logicamente necessário para tais coisas?

A nota de Peter de que a teodiceia de construção da alma não pode explicar o sofrimento animal é irrelevante. Não podemos justificadamente reprovar uma teodiceia por não explicar um tipo particular de sofrimento quando outra teodiceia pode (consequência do pecado). 4, neutralizada.

O mesmo com a Teodiceia 5. Peter escreve,

…Deus podia ter feito algo significativo em vez disto sem envolver sofrimento…

Deus fez. Nós arruinamos.

…remover o sofrimento de animais não-humanos e remover defeitos de nascimento iria requerer um insondável esforço de re-engenharia biológica…

Irrelevante. Deus não permitiu estas coisas para que nós pudéssemos resolver joguinhos de quebra-cabeça.

No século 14, humanos tentaram impedir o avanço da peste – não apenas eles não tinham recursos médicos nem planos de contenção, eles não tinham uma teoria bacteriana de doenças de modo geral.

A Morte Negra foi um mal moral que merecia punição. Acerca da Teodiceia 2, Peter diz que as vítimas “não eram especialmente tão pecaminosas” que o povo de hoje. De acordo com a Bíblia, isto é falso. Imundícia é pecado.

A principal suspeita da pandemia é a Yersinia pestis, uma bactéria transportada por pulgas que habitam em ratos que permeavam as grandes e imundas cidades daquela era[6].
A importância da higiene foi reconhecida apenas no século 19; até então era comum as ruas serem imundas, com animais vivos de todas as espécies e parasitas humanos em abundância[7].

Acautelai-vos, tolos humanos! Fomos alertados a não nos tornarmos “imundos” por ratos ou outros animais designados por “impuros”[8] e advertidos a não comer nada em que eles tocassem[9]. Deus nos comandou a enterrar estrume fora dos limites da cidade[10], evitar contato com fluidos humanos porque eram “impuros”[11], limpar tudo o que uma pessoa com fluxo tocasse[12], evacuar e selar qualquer casa com míldio “esverdeado ou avermelhado”[13], e se o fungo persistisse após sete dias, “raspar as paredes” de dentro da casa[14], remover as pedras contaminadas [15] e descartá-las fora dos limites da cidade[16].

Entre outras coisas, a Wikipedia lista, “decadência ou decomposição do corpo enquanto a pessoa ainda está viva, febre alta, e fadiga extrema” como sintomas da peste bubônica[17], e Deus especificamente nos alertou que a falha em obedecer resultaria em – espera só – doenças degenerativas e febre que irão drenar a nossa vida[18].

Mal moral é qualquer ato mau, evento ou estado de coisas diretamente atribuíveis às ações de um agente moral. A Morte Negra arrebatou a Europa porque agentes morais pecaram ao desobedecer a Santa Palavra de Deus e permitir imundícia, vermes e parasitas macularem-nos. Deus nos avisou. Nós não precisávamos sofrer a peste bubônica para ir ao Paraíso, nós só precisávamos ouvir a voz de Deus.

TRAZENDO TUDO PARA CASA

Esta evidência é tão forte que mesmo Peter afirma que ela provaria a bondade e glória de Deus “além de qualquer sombra de dúvidas”, deixando-lhe nenhuma alternativa racional além de abandonar o ateísmo e reconhecer o Deus da Bíblia. Peter escreveu recentemente,

…o conhecimento da teoria bacteriana de doenças contidas na contida na Bíblia em vez de deixada a ser descoberta por cientistas falíveis teria salvo bilhões de vidas. Por que [Deus] não fez isto, dado que isto demonstraria a glória e bondade [de Deus] sem sombra de dúvidas, é desconhecido [19, ênfase minha]

Minha lista é só a ponta do iceberg, e nós já temos algo semelhante à higiene moderna e teoria bacteriana, entregue 3000 anos antes de Pasteur ser tão grande quanto uma centelha no olho de seu pai – por ateus que às vezes os denigrem como pastores de cabra ignorantes. Outra fonte nota,

Judeus que obedeceram estas instruções divinas durante a época da Peste Negra não foram afetados da mesma forma que os outros[20].

Talvez porque Deus providenciou claros e completos comandos higiênicos na Torah? Concordo com Peter que uma “divindade” que faz as pessoas sofrerem inutilmente é digna de condenação, é cruel, malévola, e fundamentalmente oposta ao amor e compaixão [21], mas como meus argumentos inegavelmente demonstraram, Deus fez exatamente o que Peter havia perguntado, e muito mais. Não seria uma tragédia perder a vida eterna por um argumento tão fraco que afirma a dúvida da existência de Deus simplesmente porque ele esmagou nosso dedão do pé?

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