Soberania – por Alexander Pruss

Enfim, um artigo curto depois de tanto tempo de enrolação. Como eu costumo escrever mais sobre soteriologia no Credulo – e mais recentemente um interesse súbito em escatologia no Futuro no Pretérito -, é bem difícil eu fuçar alguma coisa interessante sobre filosofia da religião.

Este foi um post interessante postado no Prosblogion faz algum tempo. Divirtam-se!

Soberania

por Alexander Pruss on Prosblogion
Tradução: Carpinteiro do Universo

Suponha que eu sei que se eu causei A, então ou B ou C sucederão. Suponha que cada um de B e C promova meu plano, e nenhum deles promove melhor meu plano que o outro. Então não parece que soberania me requereria conhecer ou decidir antes de minha decisão de causar A, qual de B ou C sucederia. Soberania talvez requeira que nada que seja contrário ao plano de Deus aconteça, mas não requer que o plano de Deus deva determinar cada detalhe.

Eis uma tentativa de noção de soberania construída sobre essa ideia:

x soberanamente executa o plano P, se e somente se x executa P com sucesso e se definirmos Q como o que x conhecida e fortemente atualiza ao executar P, e definirmos K como tudo o que x conheça explanatoriamente antes da decisão de x em atualizar fortemente Q, e definirmos W o conjunto de todos os mundos nos quais vale ambos Q e K, então nenhum mundo em W se encaixa melhor nos objetivos de P que qualquer outro.

Em outras palavras, x é soberano na execução de um plano desde que, dado o que x faz e conhece, ele não pode ser desapontado a respeito da qualidade da execução do plano.

Uma maneira de assegurar soberania na execução de um plano é forte e conhecidamente atualizar cada minúsculo detalhe. Esta é uma via calvinista ou talvez tomista. Outra maneira é saber exatamente como os detalhes irão se desenrolar. Esta é a forma molinista. Outra maneira seria a do “enxadrista” (não é minha terminologia ou ideia originais; penso eu que esta visão foi desenvolvida por W. Matthews e Sarah Coakley): escolher o plano de tal maneira que não importando como as coisas se desenrolem, o objetivo não seria em nada menos alcançado à luz do plano. Alguém pode fazer isto de duas formas: estabelecendo seu objetivo adequadamente (tal que, aconteça o que acontecer, se encaixe – não é bem como os mestres do xadrez fazem) ou escolhendo o plano bem cuidadosamente, ou alguma combinação dos primeiros dois disjuntos.

Isto não nos dá uma definição de soberania monádica, e penso que esta não é necessariamente uma coisa má. Pode ser que a noção de soberania tenha sua raiz como conectada a planos particulares. Mas se alguém quiser uma noção monádica, pode-se tentar algo assim:

x é perfeitamente soberano desde que seja uma propriedade essencial de x que x seja tanto perfeitamente livre na sua formação de planos e x é soberano na execução dos planos que ele forma.

Mas enquanto é plausível que Deus seja soberano no seu atual plano de salvação, pode-se levantar a questão de van Inwagen se Deus não pode decidir executar um plano não-soberanamente se ele assim escolher.

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